Parto

fêmea aguda da gravidez

Aqui mora uma parte difícil da narrativa, mal sei como começar. Vou me aproximando do parto, daquele momento que não tem outro jeito, precisa acontecer. É natural que uma fêmea grávida dê à luz, mas nas fêmeas humanas o parto pode não ser tão natural quanto planejava a natureza ao nos criar.

Tem aí muito pano pra manga. As grávidas bem sabem.

Resumo do meu: desenhei um plano de parto humanizadinho, pro Vicente nascer numa maternidade pública, e decorei as fases do trabalho de parto, pra só chegar no hospital na hora H e reduzir as chances de uma cesária desnecessária.

E tratei de esperar as contrações.

Mas elas nunca chegaram. Ao menos não de maneira natural. Entrou na minha história muita ocitocina sintética. Tivemos de trazer o Vicente ao mundo antes que ele assim desejasse. Mas foi a única opção. Ou talvez nenhum de nós dois aqui estivesse.

De criança, sempre fui sorteada pra tudo. Ganhei frango, ganhei ursinho, ganhei relógio.

Grávida também fui sorteada, mas pra uma complicação grave e rara.

Tem que acontecer em uma de cada 15 mil gestações. Aconteceu na minha. É isso aí, aconteceu, passou.

Estamos aqui. Vicente venceu. É isso mesmo que significa o nome. E eu acredito que foi ele quem o escolheu. Um dia, do nada, ele me disse como queria chamar.

Vicente venceu, está aqui, e o fígado gorduroso agudo da gravidez se foi.

Mais detalhes na próxima edição. É muito assunto pra um fôlego só.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s